Claro que mudou.
Mais prédios, carros, lojas e mais pessoas nos prédios, nos carros e nas lojas. Chamam isso de mudança, aumentar o mesmo ciclo, dobrar e triplicar.
Visivelmente tudo esta bem, todos continuam a girar, não perguntam das dores sentidas, dos filhos distantes e do ócio ativo. Jogam festas, produções com o intuito de separar uns dos outros.
Ver o outro lado da moeda torna vulnerável, o desapego de ideais, sentimento que some na manipulação diária, quando é livre, tudo aparece.
Poderia não ter reagido, mas a inquietação reverbava no ar - não - a noite prometia queimar olhos e prazer, mas era ali, no espaço contaminado, longe dali haveriam outras drogas e mais prazer.
Mesmo sabendo que não importava sabia que estava tudo igual – dinheiro, posição social, conforto – belas formas de manipulação, acomodadas perante a posição geográfica do buraco em que vivo.
Passou a esquina, viu pela ultima vez a casa, bom tempo - meu – claro, todo meu, mesmo dividindo com alguns a cerveja, o computador e a cama foram minhas, todas possuídas com fervor durante alguns meses.
Das desgraças ocorridas, varias risadas, afinal quem se perdeu se preocupa, não tem mais forças prefere lutar para manter a mesma tranqüilidade, fraqueza, objetos de consumo.
Atropelei mais um ano em seis meses, o veredicto esta na mesa, livros, certificados e viagens e leitura, excessivamente e compulsivamente, tirando isso, vem o certificado idiota que chamamos de idade, uma idiotice qualquer que serve para separar nós da gente e exercer uma grande pressão e cobrança por parte dos outros.
Apenas restava uma certeza, quanto mais vivia, a percepção aumentava - intima - poderia sentir e transformar em arte, esplendor sem preço, o restante era uma forma de garantir a reprodução disso, como agora.
29/05/11
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