O relatório era obvio, a mistura de pele, ossos e massa cinzenta denegria a imagem. Premissa para justificar a contenção do espírito.
Apresentado para especialistas, todos com o idêntico julgamento – a maneira de pensar - esvaziou o corpo, submetido pelas vontades, rompeu e abraçou a eterna sensação. Nada importa quando o tempo é curto.
Dentro do carro, estava enganado, o maldito teto solar, não se movia, restava apenas uma fresta para uma pequena dose do vento a 150 por hora passar, enganação para aumentar o valor do carro, opcional para manter o estilo médio.
Carro parado, portão aberto – esse bairro mora policiais – garantia a tranqüilidade do consumo obsessivo. Dizer chega, mas sempre chegava outro e para repetir , com tantos o afastamento diluía na fumaça e na nota estrategicamente enrolada nas narinas. Havia comida, tv, conforto imediato, involuntariamente o interesse de fugir crescia, aos outros a impressão era de paz, mas nada me segurava aquele cômodo.
Já fora, outros continuavam a chegar, novos desconhecidos conhecidos, separados pelo “consultório” alguns preferiam a Introspecção, os demais a adrenalina.
As conversas de cinco minutos não rendiam, não fazia parte daquela matriz, estava com filiais separadas em outros pontos, algumas a ponto de fechar. As restantes haviam sido mutiladas e esquecidas do objetivo inicial. Agora a boa conduta sustenta o bom tempo, apenas me recordo das viagens, no restante é o obvio necessário.
O relatório avisa, mas sou eu que sinto.
25/05/11
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